Mercedes Já Transforma a Vida de Iracemápolis

Mercedes Já Transforma a Vida de Iracemápolis

21 Oct 2013

IRACEMÁPOLIS – A alemã Mercedes-Benz já está transformando Iracemápolis, no interior de São Paulo, com o anúncio da construção de sua fábrica. A instalação de uma unidade vai elevar em 55% o número de postos de trabalho, duplicará o orçamento municipal e vai reconfigurar o perfil socioeconômico da cidade de 20 mil habitantes, que nasceu e se desenvolveu em função da cana-de-açúcar.

O anúncio de instalação da gigante automobilística, que tem previsão de entrar em operação em 2016, aquece a procura por negócios e empregos. “Além de ter de oferecer escolas técnicas para formar pessoal para o setor, a Mercedes vai aquecer os negócios do comércio e serviço. Hotel, por exemplo, vai ter de abrir novamente”, afirma o presidente da Associação Comercial e Industrial de Iracemápolis, Celso Domiciano, de 57 anos.

O único hotel que existia na cidade pertencia ao jogador de futebol Elano, que nasceu em Iracemápolis. “O hotel fechou porque não tinha movimento”, conta o despachante Antonio Gonçalves Filho, de 65 anos, sentado no banco da praça, onde o tema domina as rodas de bate-papo. “Não se fala em outra coisa na cidade.”

“Acreditamos que nos negócios de refeição também haverá aumento de procura. É a hora para começar a pensar em um novo ponto”, conta o dono do único restaurante da cidade, Elizandro Silveira, de 32 anos, que já busca pontos comerciais disponíveis.

Sem estrutura. A falta de espaços para novos negócios, no entanto, é um problema a ser resolvido. Com 7,3 mil imóveis, encontrar casa para comprar ou alugar em Iracemápolis não é tarefa fácil. “Já não temos imóveis disponíveis e também não há loteamentos abertos. Os preços, que já são elevados, perto da região, tendem a ficar ainda mais caros”, afirma o corretor Vicente Cosenza, de 64 anos.

Segundo ele, dois empreendedores de outra região do Estado visitaram a imobiliária – uma das três locais – na mesma semana do anúncio em busca de áreas. Mas não há grandes terrenos disponíveis. Os existentes pertencem à Usina Iracema, do grupo São Martinho.

Foi da usina que a Mercedes-Benz comprou uma área de 2,5 milhões de metros quadrados. Outras duas áreas, de tamanhos não divulgados, também serão decretadas de utilidade pública para abrigar novos distritos industriais. Além da montadora, são esperadas de 20 a 30 empresas fornecedoras de autopeças.

“Demos incentivo de isenção total de impostos até que ela abata o valor que foi investido na planta. Mas o que pesou mesmo na escolha foi a localização estratégica da cidade, que está com acesso direto a rodovias como a Bandeirantes, a Anhanguera e a Washington Luís, a poucos quilômetros do aeroporto de Viracopos e perto do principal centro consumidor da marca, que é São Paulo”, listou o prefeito de Iracemápolis, Valmir de Almeida (PT).

A área da Mercedes fica às margens de duas rodovias: a Deputado Laércio Corte (SP-147), que é concessionada e duplicada, com bom pavimento, e a Luis Ometto (SP-306), que é do Estado, não foi duplicada e está em péssimas condições.

“Já solicitamos ao governo do Estado para que a Luís Ometto seja duplicada”, conta o prefeito, que vai ver o Orçamento de R$ 45 milhões anuais duplicar com a instalação da nova companhia na cidade.

O sistema viário é apenas um dos gargalos estruturais da cidade. A falta de Bombeiros, de segurança, mais unidades de saúde, escolas bilíngues e a água para abastecer a unidade e os novos moradores são outras questões a serem resolvidas.

Sonho de consumo. Dono de um Mercedes C180, o empresário Paulo Demarchi, de 57 anos, comemora a chegada da montadora. “Quem gosta de Mercedes, como eu, sabe que é um sonho ter em sua cidade uma fábrica da marca.”

A montadora vai produzir na cidade a nova geração dos sedans Classe C no Brasil – todos os modelos de passeio hoje são importados.

Dono do único carro da marca na cidade, Demarchi diz que vai trocar seu Mercedes, ano 2012, fabricado na Alemanha, por um modelo da nova geração montado em Iracemápolis, em 2016, quando eles começarem a serem vendidos.

Além do prazer automobilístico, Demarchi espera ainda engrossar sua renda com a chegada da montadora. Dono de uma indústria de plásticos, ele pretender buscar negócios com as fornecedoras da Mercedes. “A cidade vai passar por uma transformação, com a chegada de muita gente e principalmente com o movimento de novas receitas. Esperamos que o município saiba controlar esse desenvolvimento e aproveitar esse enriquecimento.”

Fonte: O Estado de S. Paulo